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 Forum Lusophia : Textos Diversos
Assunto Tópico: A FESTA DE HORÎ (Carnaval hindu) Nova mensagemNovo tópico
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Colocado: 2008 - 21 - Dezembro às 19:26 | IP Ligado Citar admin

A FESTA DE HORÎ

(Carnaval hindu)

 

Vitor Manuel Adrião

Sintra, 1992

             Na noite da Lua Cheia do Carneiro de 1992, um membro afiliado à Comunidade Teúrgica Portuguesa, ASHVANTLAL VAJECHANDE, hindu de linhagem shivaíta, teve a gentileza de convida-me a assistir ao Carnaval hindu, chamado HORÎ, o qual foi realizado à sombra benfazeja mas discreta do SANTUÁRIO AKDORGE, consagrado a “todos os povos e religiões”, no interior do qual «ruge» o sátvico Dragão d’Ouro de JHS – o MAHA-RISHI.

             Este Carnaval hindu, muitíssimo diferente do praticado no Ocidente, contudo tem algumas parecenças com ele. Por exemplo, invés das máscaras tradicionais usam-se roupas velhas que depois são lançadas ao fogo, como quem despe a velha “persona” (não grata…) e renasce purificado pelas chamas do Fogo Sagrado – AGNI.

             O festejo, lúdico ou profano mas com bases teológicas ou sagradas, desenrola-se da maneira seguinte: num terreno aberto e limpo cava-se no chão uma cova (loka), que depois é enchida com grãos-de-bico e bagos de milho. A seguir, dispõem-se quatro paus de sândalo (perfume de purificação e exorcismo) em cruz (pramantha) por cima da cova, que irão servir de suporte ao montículo de qualquer outra madeira que será incendiada. Em volta da fogueira desenha-se no chão um círculo largo feito com as oferendas dos devotos (bagos de milho, grãos-de-bico, tâmaras, cocos, bolos de açúcar, flores, moedas…), os quais terão que volteá-lo cinco vezes antes de lançarem as suas oferendas ao Fogo Sagrado.

             Significado iniciático: o Cruzeiro Flamejante do Céu projectado ou assente sobre a Cova Sagrada da Terra, vem a expressar nesta a Lei Suprema irradiada de SHAMBALLAH às quatro direcções do Mundo, sendo ela a quinta ou o Centro donde comandam os Quatro MAHARAJAS em torno do QUINTO EM PROJECÇÃO. Terra que está delimitada pelo círculo mágico dos cinco elementos (tatvas) que a animam, representados nas cinco voltas tradicionais do devoto festeiro, a cada uma correspondendo simbolicamente a purificação e assunção de determinado estado de Consciência, como seja:

 

1. PRITIVI (TERRA) – FÍSICO: 1.ª Volta ou Ronda, a caminho de

2. APAS (ÁGUA) – VITAL: 2.ª Volta ou Ronda, a caminho de

3. TEJAS (FOGO) – EMOCIONAL: 3.ª Volta ou Ronda, a caminho de

4. VAYU (AR) – MENTAL: 4.ª Volta ou Ronda, a caminho de

5. AKASHA (ÉTER) – ESPIRITUAL: 5.ª Volta ou Ronda.

 Após, vem a folia: numa alegre algazarra colorida, os festeiros vestidos com roupas velhas borrifam-se uns aos outros com água e pós coloridos, e no final comem oferendas já consagradas pelo Fogo Sagrado ou Solar da própria Terra (Bhumi). Significa isso haver como que uma consagração pela água colorida, uma espécie de baptismo, antes de se libertarem da velha e viciada personalidade, para só depois, já «purificados e libertos», puderem comer o “manjar divino”, num ágape fraternal como quem absorve a hóstia sagrada pela Luz, Calor e Chama de AGNI.

 

             O Horî (ou Holî) costuma terminar com cânticos de jubilosa alegria e louvor respeitoso, extraídos das Escrituras Sagradas Vishnuítas.

 

             Segundo o calendário lunar hindu, este festejo realiza-se no mês de Fád, o nosso Março, sempre no dia 15.º dia pelo Plenilúnio. O valor 15 tem um duplo significado, benéfico e maléfico: como benéfico, expressa a ILUMINAÇÃO MENTAL, consequentemente, ESPIRITUAL, conferida por ASTAROTH aqui assinalado no próprio AGNI.

 

             Como maléfico, representa o apego à carne, às nidanas ou vícios da personalidade humana, o que os hindus representam na deusa Maya, os budistas assinalam na deusa Mara, derrotada por Buda, e os ocidentais no deus Momo (que no baralho de cartas vulgar é o Joker como o mesmo Bobo ou Louco do Tarot, incarnado pelo Arlequim no carnaval veneziano), que no fim do festejo destronam ou, tratando-se de um boneco figurativo, destroem ou queimam como coisa inútil, o que se representa na “serração da velha”, festejo ainda em uso nos meios rurais, já antevendo a quaresma, sendo a altura de arrojar-se fora as máscaras, tal qual os hindus arrojam ao fogo as roupas velhas.

 

             É muito possível que a origem do Carnaval no Ocidente tenha sido importada do Oriente para a antiga Roma (de cujas Saturnais parece derivar directamente o Carnaval moderno), de onde se espalhou pelo continente europeu, pois que a antiguidade do Horî é dada como remontando ao período atlante da primitiva Satya-Yuga, a “Idade de Ouro”, quando a Paz, a Ordem e a Justiça reinavam sobre a Terra e os deuses conviviam com os homens. O Horî era então a FESTA DA HARMONIA UNIVERSAL, da elevação da Matéria ao Espírito, ou seja, de Prakriti unindo-se amorosamente a Purusha, o que vale hoje mesmo pelo “adeus à carne” ou carnes vaal em latim, donde Carnaval… e não vale a carne, como catarse colectiva anual das populações mais afligidas pelas carências socioeconómicas de sociedades empobrecidas, a começar pela carência efectiva de espiritualidade verdadeira. Quanto mais pobre e sofredor é um povo, mais rico e intenso é o seu carnaval…

 

             As Escrituras tradicionais hindus informam que a festa do Horî foi instituída pelo deus Hirnyásh ou Hiranyaksha, literalmente, “Aquele de Olhos de Ouro”, que se recolheu há cinco mil anos, após o término da Satya-Yuga ou “Idade de Ouro” (a da Espiritualidade Luminosa auspiciando gloriosamente a Sociedade Humana da época), à quinta região (loka) do Patâla, o Mundo Subterrâneo, Inferior ou Interior, onde é Rei soberano como o foi na Ariavartha, a Índia primitiva, com a sua real esposa Satî ou Satti, literalmente, “Esposa Casta e Virtuosa”.

 

             A quinta Loka do Mundo Subterrâneo ou AGHARTINO tem precisamente o nome do seu Monarca: HIRANYALOKA, também chamada KRAUNKA, o “País dos Gasosos” e o “País de Verão”. Ela é representada sobre a Terra pelo Quinto Posto Representativo de SINTRA, em sânscrito SIsh*tA, o que sugere alguma afinidade filológica com SATÎ… representativa do MENTE UNIVERSAL imolada pela iniquidade passional humana, ou seja, a espúria, vã e inglória tentativa anímico-fantasista de conspurcar a LUZ de SURA-LOKA, como quinta região do Mundo de DUAT, imediato a AGHARTA e mais próximo da Face da Terra, ainda a ver com a mesma SINTRA, SIsh*tA ou SUTALA.

 

                 Com efeito, segundo a narrativa tradicional, Satî foi sacrificada às mãos dos Daityas decadentes (física, moral e mentalmente) da primitiva Raça Atlante ou Lunar (Chendra-Vansa), ao querer proteger o seu esposo das suas investidas assassinas, postando-se no “umbral da porta do seu palácio”, o que tanto vale por umbral ente dois Ciclos raciais (o Atlante e o Ariano), onde foi trespassada por espadas afiadas e o seu corpo assassinado lançado ao fogo. Graças ao sacrifício abnegado da sua esposa, Hirnyásh (nome soando semelhante ao primeiro do Teúrgico hindu referido ao início, decerto mais por causalidade que por casualidade) pôde escapar ileso indo recolher-se no abrigo seguro da quinta Loka do Patâla (acontecimento cuja memória se celebra nas cinco voltas tátvicas à fogueira sagrada do Horî), levando consigo as melhores sementes monádicas (representadas nas grãos vegetais enchendo a cova, toca, loca ou loka iluminada da fogueira do Horî) destinada a formar a futura Raça Solar (Surya-Vansa) dos Ários.

 

             O sacrifício de Satî às mãos dos degenerados atlantes (Daityas), com a vinda da Kali-Yuga ou “Idade do Obscurantismo”, onde a crença fanática e a superstição ignorante impuseram-se à razão e à verdade já perdidas na poeira dos tempos, veio a originar o costume funesto das viúvas serem cremadas vivas com os seus maridos mortos, costume felizmente abolido na Índia moderna, mesmo sabendo que aqui e ali, nas zonas rurais subdesenvolvidas, ainda se realiza esporadicamente às escondidas da lei.

 

             O Horî relaciona-se igualmente com o 4.º Avatara de Vishnu (o 2.º Logos) – NIRSIHMA, o “Homem-Leão”, cuja manifestação deu-se na 4.ª Raça Atlante marcando o período da Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas, ou seja, dos AGNISVATTAS Solares contra os BARISHADS Lunares, com os JIVAS Terrenos permeio em baixo e os ASSURAS Saturninos ou Andróginos permeio em cima, estes partidários dos Solares e os Jivas para os Lunares, os quais venceram deixando um rasto de caos ou kali sobre a Terra, inaugurando o respectivo Ciclo e forçando os Grandes Iluminados na Sabedoria Eterna a recolherem-se ao abrigo seguro de hipógeos ou lugares subterrâneos, por completa falta de condições físico-espirituais na face do Mundo.

 

             O Leão, zodiacalmente o quinto signo, é símbolo do Ouro (KRYTA) e do Sol (SURYA), e como tal o seu Homem (NIRSIHMA) ou expressão manifestada no Mundo Humano foi Prahlâda (in Bhagavad-Gïta, X, 30), o Supremo Dirigente da Linha Solar Aditya oposta à Lunar Daitya, esta a dos “gigantes” ou homens de estatura desenvolta que caracterizaram o tipo humano atlante. Prahlâda viveu 15.000 anos, isto é, o tempo de duração da sua linhagem familiar (facto igualmente constatado nos Patriarcas bíblicos do Antigo Testamento, alguns vivendo 900 e mais anos, cuja explicação é a mesma deste personagem do santoral hindu), e não de uma só pessoa, por ser obviamente impossível no plano genético das formas humanas.

 

             Prahlâda é o mesmo Hirnyásh esposo de Satî, portanto, um divino Rishi ou Rei-Sacerdote que viveu na Kusha ancestral, como sendo a mesma Atlântida assinalada nas escrituras tradicionais do Oriente. Nele se manifestou ou avatarizou Nirsihma – a 4.ª Encarnação de Vishnu, equivalendo ao Filho na Trindade cristã. O pai carnal desse Iluminado chamava-se Hiranyakazipu, também chamado Daitya, e era o rei dos ateus e pecadores degenerados que pereceram no Dilúvio Universal que submergiu Kusha. Conclui-se, pois, que Prahlâda nasceu entre hereges e pecadores à Boa Lei para que, entre eles, puder reconduzi-los à reconversão e reencaminhamento ao Caminho da Direita (Diritta Marga) ou da Realização Verdadeira. Quando viu goradas as suas tentativas, escolheu os melhores da Raça e formou a Linha Aditya, que acabou fazendo oposição aos Daityas e se salvou do afogamento universal no mar revolto das paixões nabalescas, por se recolher à segurança do seio da Terra.

 

             Tudo quanto disse até aqui encontra-se no simbolismo da lenda de Nirsihma Avatara (este último termo significando literalmente: “Manifestação da Divindade”). Qual é o hindu que não a conhece como a “história de Prahlâda”? Nela está tipificada a espiritualidade nascente que se revelaria nas raças elevadas dos Adityas, os homens mais evoluídos que sobreviveram aos atlantes indo constituir a presente 5.ª Raça-Mãe dos Ários, na Meseta do Pamir, no Norte da Índia e Oeste do Tibete. Por isto se diz que a ÍNDIA É O BERÇO DA ACTUAL HUMANIDADE.

NIRSIHMA, 4.º AVATARA DE VISHNU

             É quase desnecessário insistir na famosa história do devoto de Vishnu; como o seu pai Daitya esforçou-se por o matar, por não conseguir que deixasse de pronunciar constantemente o nome de Hari (significando “Salve”, donde se originou Horî, “Salvação”, nome do festejo aqui abordado). Tentou matá-lo com a espada, mas esta quebrou-se quando tentava cortar o pescoço da criança; tentou envenená-la mas Vishnu apareceu e comeu, no seu lugar, o arroz envenenado, tentou ela comido a parte boa com o nome Hari nos lábios; também como o pai tentou assassiná-lo por meio do elefante furioso, pelo dente da serpente, ou atirá-lo num precipício esmagando-se na pedra em baixo. Mas sempre o nome “Hari, Hari, Hari” trazia-lhe a salvação, pois no elefante, na serpente, no precipício e na pedra Hari estava sempre presente, era Omnipresente, e o devoto de Hari estava seguro na Sua Presença. E sabe-se como, finalmente, o pai, ao desafiar a Omnipresença de Deus, apontou para um pilar de pedra e perguntou escarnecendo: “O teu Hari também está nesse pilar?”, tendo o rapaz clamado: “Hari, Hari, Hari!”. Logo o pilar desfez-se e surgiu dele a poderosa forma leonina de Nirsihma que matou o Daitya que duvidara (o que vai bem com o episódio bíblico daquele rei desafiando a Divindade no topo da Torre de Babel, disparando uma seta ao Céu para que atingisse a Divindade… que respondeu da forma fatal de todos conhecida), para que por esse episódio todos conhecessem a Omnipresença do Omnipotente.

 

             Será essa apenas uma lenda religiosa? Não creio, pois que nela se encerram factos concretos, antropológicos e etnológicos, e não ficção lúdica para manter o temor supersticioso dos crentes. Quanto mais fundo investigarem as ciências arqueológica e antropológica no Passado recôndito da Humanidade, mais provas haverão dessas batalhas à escala planetária que opuseram homens e deuses, e então nada de estranho, bizarro ou anormal acharão nesta história religiosa, pois será encarada como fazendo parte do episódio histórico dos Senhores da Chama (Agnisvattas ou Arcanjos) purgando e redimindo a Terra atlante para que a Evolução Humana posterior, a actual, tivesse lugar.

 

             A 5.ª Loka ou “Região” aonde se recolheu Hiranyaksha ou Prahlâda, levando consigo a Sabedoria Antiga dos primitivos Rishis ou “Reis Divinos”, é chamada pelos Advaitistas vedantinos de SUTALA, o “Lugar do Som e do Verbo” (Shabda), onde o Mental Superior age como Terceiro Logos ou SHIVA, o mesmo ESPÍRITO SANTO da Trindade cristã. É o estado de Consciência Beatífica permanente dos Manushi-Budhas, os “Budhas Humanos” ou Dhyanis-Jivas expressando na Terra aos Dhyanis-Budhas, os “Budhas Celestes”. Nesta 5.ª Região ou “Terra Santa” assinalada pelo respectivo “Monte Santo”, inclui-se a Hierarquia dos Senhores da Mente (Assuras ou Arqueus de diversas classes), e tudo está sob a regência suprema do 5.º Dhyani-Budha AMITABHA, que quer dizer: “A Luz Infinita”… do Mental Universal (MAHAT). Este Deus Búdhico leva hoje o nome bem português EDUARDO JOSÉ BRASIL DE SOUZA, em conformidade à Evolução do Ciclo em que tudo muda, até os deuses e os seus nomes. Quanto a SUTALA, repito, equivale a SINTRA.

 

             Respeitante ao mês Fád ou Março, período da Lua Cheia do Carneiro, Áries, Agnus ou Agni, o FOGO SAGADO, tem o seu equivalente no Zodíaco Oriental no signo do Dragão cuja natureza é yang ou satva, “expansiva”, pelo qual o Sol cruza no Plenilúnio pelos meados da Primavera.

 

             De maneira que se vê a Festa de Horî igualmente associada à entrada no ANO NOVO astrológico começando em Áries, o primeiro signo do Zodíaco, fase em que se inicia uma vida nova despindo-se as “velhas roupagens” e assumindo-se uma nova e mais lata condição espiritual sob a égide do ígneo Dragão d´Ouro, AGNI, afinal, a “Alma Gloriosa do Sol” crepitando em chamas brilhantes no altar ou imo de uma e todas as criaturas.

 

             SALVÉ, HORÎ! HARI, HARI, HARI!

 

 



Editada por admin na 2008 - 21 - Dezembro às 19:33
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