Tópicos activosTópicos activos  Mostrar lista de membros do fórumLista de membros  Procurar no fórumProcurar  AjudaAjuda
  RegistarRegistar  EntrarEntrar
Entrevistas e Reportagens
 Forum Lusophia : Entrevistas e Reportagens
Assunto Tópico: SEGUINDO CAMINHO D. FERNANDO II -2ª parte Nova mensagemNovo tópico
Autor
Mensagem << Pré-visualizar tópico | Tópico seguinte >>
admin
Grupo Admin
Grupo Admin


Data de adesão: 2005 - 29 - Março
Online Status: Offline
Mensagens: 151
Colocado: 2005 - 17 - Maio às 15:44 | IP Ligado Citar admin

SEGUINDO O CAMINHO DE D. FERNANDO II
NA DEMANDA DO SANTO Graal


(PARTE II)

(REPORTAGEM DE VICTOR MENDANHA IN "CORREIO DA MANHÃ", 6.1.1986)

    A Serra de Sintra possui aquilo que se pode chamar um Palácio Encantado, mandado construir pelo príncipe alemão de Saxe-Coburgo Gotha quando foi rei de Portugal com o nome de D. Fernando II, no qual este soberano uniu os estilos da arquitectura ocidental e da arquitectura oriental, possuindo um simbolismo muito mais profundo que a visão das simples formas materiais poderá deixar presumir, conforme a opinião de alguns investigadores.

    Foi o barão Eschwege quem planeou a obra, cujos trabalhos se desenvolveram desde 1839 a 1849 e nos quais estiveram empenhados cem operários especializados mais cinquenta serventes, criando-se até uma escola de artífices que incrementou, posteriormente, a construção de outros palácios em estilo semelhante no País.

    Mas, tendo como centro o edifício principal, o monarca de origem alemã recriou na Serra de Sintra a lenda de Parsifal, quer com o erguer da chamada Cruz Alta, quer com a estátua do Guerreiro e outras edificações menos conhecidas mas tão importantes como aquelas.

Já antes delas a Serra de Sintra possuía um património religioso e histórico ímpar e todo este conjunto de símbolos, ligados à lenda do Graal, são abordados nesta entrevista com o investigador Vitor Adrião para quem a História da Serra e do rei D. Fernando II vai muito para além dos factos considerados pertencentes à História profana.

    Aqui deixamos os leitores com ele, nesta procura de um Caminho cujo trajecto segue por detrás dos conhecidos cenários do Teatro da Vida.
EM PORTUGAL O GRAAL NÃO SE EXTINGUIU


CM - Muitos investigadores consideram que o Palácio da Penha, que se deve a D. Fernando II, simboliza a lenda do Graal. Está você de acordo com esta afirmação?

VA - O Palácio da Penha foi, é e continuará a ser, para as gerações vindouras, o símbolo vivo provando que o Graal não se extinguiu e que Portugal é, ainda, o Santuário da Iniciação da Europa a caminho das sociedades futuras. De nada serve demandar o Saber no Oriente longínquo espiritualmente já cumprido ou nas Américas espiritualmente por cumprir, já que o Futuro do Ocidente está sendo tecido aqui, agora, em Terras Lusas com o Sangue Português na razão de "Mors e Amor", ou Amor e Morte, esta última no sentido de renascimento, transformação e expansão.

    Parte ínfima e bem parcial da leitura teúrgica da Serra de Sintra, o Monte da Salvação, está feita. Resta-nos, quanto antes, iniciar a Demanda do Santo Graal e, encontrando-O, encontramos a nós próprios, a razão profunda de sermos uma chispa integrante do Mar de Fogo Universal, essa mesma Substância Eterna e Infinita.

CM - O Palácio da Pena está repleto de símbolos arquitectónicos. Entre eles sobressai uma figura enorme, metade homem e metade peixe, de semblante horrível e localizada sob uma das janelas principais. Que significado tem?

VA - A figura neptuniana do Tritão, o dragão marinho da longínqua Cadeia Lunar, além de, e por ser uma figura do Passado, designar o Guardião do Umbral, representa o rei Klingsor do "Titurel", o cavaleiro negro opondo-se ao cavaleiro branco do Graal, Parsifal, que se deverá bater com ele, numa peleja mortal, e vencê-lo. Ou seja: aniquilar os seus próprios instintos e pensamentos animais ou anímicos. Só derrotando o Guardião tenebroso poderá passar além do Portal das Tormentas e entrar na Luz da Suprema Realização, tornando-se o próprio Graal.
PERCORRENDO OS CAMINHOS DE PARSIFAL


CM - Além do Palácio, e nas suas redondezas, o rei mandou edificar outras construções, como a Cruz Alta. O que significa a Cruz Alta dentro de todo o conjunto arquitectónico?

VM - Dentro dos jardins do Palácio da Penha, nome significando "Pedra Bendita", encontra-se a Cruz Alta, o ponto mais alto da Serra, e isto por isto o "Pico do Graal". A Cruz Alta primitiva, datada de 1522, foi mutilada por um raio e substituída depois por D. Fernando II. Aí, segundo a Tradição do Graal, "o Cristo passou pela última vez, ligando o Céu à Terra". Os nós da Cruz designam a Via Seca, o Caminho do Fogo Purificador do Espírito Santo, a Via Guerreira do Santo Cavaleiro, que é Teúrgico, que é Alquimista, que é - relembrando, por exemplo, a figura enigmática do Santo Condestável Nuno Álvares Pereira - o S. João Anunciador ou Yokanan da Ínclita Geração.

CM - Poucas pessoas conhecem a estátua do Guerreiro, bem perto da Cruz Alta e sobre outra grande elevação. Ele apresenta-se com uma lança na mão e foi mandada construir, também, por D. Fernando II de Saxe-Coburgo Gotha, família real protegida por todas as Escolas Iniciáticas. Terá o Guerreiro, igualmente, um simbolismo oculto?

VA - Mais abaixo da Cruz Alta, na verdade, situa-se o Penedo do Gigante, no meio da Mata do Ferreiro, com a estátua do Arquitecto - o Grande Arquitecto do Universo - também conhecido por Guerreiro, que se diz ser a estátua do próprio barão de Eschwege, o construtor do palácio. A estátua esteve à entrada do palácio durante alguns anos mas depois foi mandada colocar sobre o Penedo do Gigante por D. Fernando II e por motivos que este rei, como Iniciado, bem sabia quais. A Teurgia considera a estátua como o próprio S. Jorge o Senhor da Espada, aliás patente num vitral do palácio, assente sobre um aglomerado rochoso com o formato de uma rosácea fechada.

CM - Na mesma zona e mata o observador atento poderá descobrir um poço muito antigo e uma mesa cuja serventia não nos parece ser a de servir de apoio aos turistas, até porque aqueles caminhos da serra não são caminhos de turismo por não ser fácil percorrê-los...

VA - Essa mesa relembra-nos, até por se encontrar rodeada por um assento em ferradura, a Mesa Mágica da Távola Redonda, em torno qual estavam os 14 lugares, um deles sempre vago, o Trono do Altíssimo, que decerto virá a ser ocupado, num porvir breve, pelo Guerreiro, o Graal humanizado...


ELES UNIRAM A MENTE HUMANA À UNIVERSAL


CM - O rei Iniciado D. Fernando II mandou erguer o Palácio da Pena sobre um antigo e arruinado convento dos frades Jerónimos. Existem, na serra, outros locais onde os frades Jerónimos tivessem vivido?

VA - Perto dos locais de que acabámos de falar encontra-se o Alto de Santa Catarina e próximo deste monte podemos encontrar a Gruta do Monge, caverna natural remodelada para ser refúgio dos freires Jerónimos - nome que provém de Gerom ou Hieron, Hiero-nimos - os que uniram a mente humana à Mente Universal. Trata-se de um local extremamente pitoresco. Interpretando esse facto à luz do "Titurel", diríamos que os freires Jerónimos são os candidatos aguardando a entrada no Castelo do Santo Graal, fazendo um período de retiro espiritual... antes de serem retirados da Face da Terra.

CM - Alguns investigadores garantem que as elevações de terreno do Palácio, da Cruz Alta e do Guerreiro, são os vértices de um triângulo absolutamente equilátero. Tem a mesma opinião?

VA - A Cruz Alta, o Guerreiro e o Palácio formam, entre si, precisamente um triângulo ou Delta Teúrgico. Mas onde poderemos encontrar o Olho Espiritual que ornamenta o centro do símbolo? Precisamente no Alto de santo António, onde se ergue um pavilhão oriental, mandado construir por D. Fernando II em volta de uma capela circular daquela evocação com quatro nichos dentro, formando quadrado, logo a "quadratura do círculo", e por cima o selo com a Cruz de Cristo, vermelha, mas sobreposta exteriormente pelo signo verde do Islão. António é nome sugerindo-nos o termo egípcio Akenaton, o Mensageiro dos Céus e cerne da Tradição Solar Ocidental que teve o seu início Ariano no Egipto pós-Atlante.

CM - Não será difícil concluir, agora, encontrar-se a Serra de Sintra relacionada, pelo menos simbolicamente, com a chamada Demanda do Santo Graal. Poderá referir-se, mais claramente, a este facto?

VA - A Demanda do Santo Graal dos Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur, encontra-se intimamente ligada a Sintra por via da temática deográfica de Mons Salvat ou o Monte da Salvação, para nós a própria Serra Sagrada de Sintra, sendo agora altura de recordarmos uma significativa passagem da Lenda de Parsifal, incorporada musicalmente à Ópera Iniciática de Richard Wagner. Gurnemanz, o mais idoso dos Cavaleiros do Graal, conta: "Na tarde em que Nosso Senhor e salvador Jesus Cristo celebrou a sua última ceia com os Seus discípulos, bebeu o vinho por um cálice que, mais tarde, José de Arimateia usou para recolher o sangue vivificante que brotava de um dos lados do Redentor. José de Arimateia guardou, igualmente, a lança ensanguentada, e conservou estas relíquias consigo, através de imensos perigos e perseguições. Enfim, os Anjos o guardaram até que, certa noite, um mensageiro místico enviado por Deus apareceu a Titurel, pai de Amfortas, ordenando-lhe que fizesse construir um castelo que servisse de abrigo às santas relíquias. Assim se veio a construir, sobre uma alta montanha, o castelo de Monte Salvat onde se guardaram os sagrados tesouros, sob a vigilância de Titurel e de uma companhia de santos e castos cavaleiros"...


A MONTANHA TAMBÉM É UM SER VIVO


CM - Sabendo-se que a Tradição nos fala no Graal Taça, no Graal Pedra e no Graal Livro, onde localizaríamos na Serra de Sintra, e simbolicamente, o Graal Pedra?

VA - O Graal pedra, ou Ara Santificada, encontra-se no Monte de Santa Eufêmia, a Boa-Fêmea ou Boa-Mãe, onde foi erigido no passado remoto o templo atlante dedicado à Lua e onde fica situada, actualmente, uma ermida românica, no século XVII mandada erigir por um cavaleiro francês, dedicada a Santa Eufêmia da Serra devido ás aparições aí da Santa, junto a uma fonte - hoje gradeada e seca - cuja água era considerada milagrosa no tratamento de várias doenças. Santa Eufêmia é considerado o ponto mais remotamente habitado na região de Sintra, dedicando a ele vários trabalhos exaustivos o arqueólogo Félix Alves Pereira.

CM - E o Graal Taça, onde o localiza você?

VA - Nesta peregrinação pelo "jardim do Paraíso", como lhe chamava Gil Vicente que foi o pai do Teatro ibérico, encontramos o Graal Taça no encantador, cheio de fascínio e misterioso Castelo dos Maurus ou Mouros, a quem o Professor Henrique José de Souza apelidava, significativa e respeitosamente, de "Pico do Graal", inserto no espaço daquele outro ou mesmo da Cruz Alta. Permita-me acrescentar que a tomada do castelo, em 1147, pelas tropas de Afonso Henriques, após 17 semanas de cerco violento e com rendição da sua guarnição, é pura fábula! Não duvidamos que, ao princípio, não tivessem acontecido algumas escaramuças entre as duas forças, mas a verdade é que houve um contrato entre a moirama e o rei cristão, permitindo este que os Maurus ou casta sacerdotal islâmica se escapasse pelas galerias subterrâneas do castelo sem correrem o risco das tropas cristãs, analfabetas e supersticiosas, lhes fazerem algum mal, contrariando a vontade do seu rei. Só depois o vizir entregou, pacificamente, as chaves do  Castelo-Santuário a Afonso Henriques, Rei autocoroado e Grão-Mestre Fundador da Ordem de Aviz.

CM - O primeiro rei de Portugal deixou, na Serra de Sintra, algum rasto arquitectónico da sua acção como condutor do seu povo?

VA - Afonso Henriques, El Rike ou Al Rishi, o Condutor Justo e Perfeito de seu Povo, ergueu em Sintra quatro templos: um dedicado a S. Pedro ou a Pedra Angular da Ordem do Santo Graal vinculada aos Maurus ou Marizes, aproveitando a antiga mesquita do castelo dedicada a Fátima, quinta filha de Maometh; um outro dedicado a Santa Maria da Conceição, símbolo da Imaculada Conceição ou Concepção Alquímica; outro dedicado a S. Miguel, o "Solis Invictus", e por fim o quarto, este consagrado a S. Martinho ou Marte, o deus da Guerra e das Forças Telúricas ou Luciferinas da Mãe-Terra.

CM - A forma física da Serra de Sintra também possui o seu quê de estranho pois pode  considerar-se, para quem a vê de avião, como algo que ali foi posto, no meio de uma grande planície, por mão invisível e ciclópica...

VA - A razão de Sintra ser uma lomba distendendo-se até ao mar, terminando abruptamente no Cabo da Roca ou Rocha, denominado por povos tão antigos como os fenícios, iberos, celtas, árabes, etc., de "Promontório da Lua", deve-se à grande tragédia geológica e final da Atlântida, sofrendo a geografia dos continentes profundas e significativas alterações.

    Com isto pretendemos dizer que não só desde que o Rosacruzista e poeta iluminado Lord Eduard Byron lhe chamou "Éden glorioso", Sintra é uma Montanha Sagrada, isto segundo esquecidas lendas e tradições que são reavivadas pela interpretação e leitura da Mítica Sintrense que escapa à maior parte dos passeantes profanos e inconscientes para a realidade do Ser Vivo que é, afinal, a Montanha.

      Documento PDF c/imagens comprimido em ZIP

Voltar acima Ver admin's Perfil Procurar outras mensagens de admin
 

Se deseja colocar uma resposta neste fórum tem de primeiro entrar
Se ainda não está registado tem de primeiro registar-se

  Nova mensagemNovo tópico
Versão para impressão Versão para impressão

Ir para o fórum
Você não pode colocar novos tópicos neste fórum
Você não pode responder a tópicos neste fórum
Você não pode apagar as suas mensagens neste fórum
Você não pode editar as suas mensagens neste fórum
Você não pode criar sondagens neste fórum
Você não pode votar em sondagens neste fórum

Powered by Web Wiz Forums version 7.9
Copyright ©2001-2004 Web Wiz Guide

Esta página foi gerada em 0,0781 segundos.