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ENTREVISTA DE VITOR MANUEL ADRIÃO A “NOTÍCIAS DE CANOPUS”, EM 10.05.2006, ACERCA DA APRESENTAÇÃO PÚBLICA NA GARE MARÍTIMA DE ALCÂNTARA, LISBOA, NO ÂMBITO DO FÓRUM “PORTUGAL NA DIMENSÃO OCULTA”, DO SEU LIVRO “A ORDEM DE MARIZ, PORTUGAL E O FUTURO”

PORTUGAL – DIMENSÃO OCULTA – ENTREVISTA DE D.C. A V.M.A. –
Sobre a “dimensão oculta”, Vitor M. Adrião recua 400 anos e considera que a questão, posta hoje, começa em D. Sebastião.
P. – O que é que se pode entender, do ponto de vista histórico, por “Portugal na dimensão oculta”?
R. – Após a morte do malogrado rei D. Sebastião, um jovem sonhador dedicado às coisas efémeras, presumidas ocultas, que a questão da Portugalidade Iniciática, ou Oculta, assumiu certas e determinadas proporções por parte de alguns mais esclarecidos da sociedade portuguesa e mesmo hispânica, nesta onde já havia a ideia do Messianismo que assim encontrou naquela o seu Messias, ou seja, D. Sebastião, mas aqui sendo o Sebastianismo algo simbólico de realidade mais profundo ultrapassando largamente a pressuposta e minguada figura real desse nome.
Poderei dizer que o “Portugal dimensão oculta” consubstancia a análise, o retracto de Portugal na sua outra “fácies”, a “fácies” espiritual, e que realmente foi abordada pelo padre António Vieira, profeta do V Império, assim como por Camões, Fiel de Amor, dentre tantos outros nomes.
Presentemente, dentro das Artes, das Letras, da Filosofia e mesmo dos Conhecimentos Herméticos, melhor dito, da Sabedoria Iniciática Tradicional, temos vários personagens contemporâneos que se dimensionam na perspectiva oculta, ou velada, não contada de Portugal, a abordam e inclusive noticiam as suas conclusões.
P. – Quer referir nomes?
R. – Por exemplo, Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Agostinho da Silva, etc., acrescidos de uma plêiade de nomes ainda mais recentes, de que destacarei Manuel Gandra, um belíssimo e excelente investigador, e Pedro Teixeira da Mota, um dedicado estudioso pessoano que já divulgou muitos estudos inéditos de grande valor e importância do Poeta-Vate da Portugalidade.
Com efeito há uma série enorme de pensadores credenciados pela Tradição, de investigadores igualmente credenciados mas pela Academia, muitos deles despidos dos velhos e corrompidos preconceitos académicos, os quais têm abordado o lado oculto de Portugal como bojo, como ponto axial da fixação de uma Cavalaria Espiritual disseminada daqui mesmo, do “Porto-Graal”, no dizer de Afonso Henriques como atesta o sinal rodado do seu documento de doação de Tomar aos Templários então representados na pessoa do seu 4.º Grão-Mestre Provincial, Gualdim Pais, à Europa e a todo Mundo.
P. – Essa é a “dimensão oculta” de Portugal?
R. – Sim, essa é a maneira por que é abordada a “dimensão oculta” de Portugal. O Portugal Espiritual, o Portugal da Mensagem, o Portugal da Parúsia ou do Advento.

P. – Em sua opinião, qual tem sido a acção desses pensadores em termos do “Portugal da Mensagem”?
R. – Hoje em dia, aparte toda essa plêiade de pensadores renomeados, que têm feito da Academia um meio de expansão da Sabedoria Portuguesa, Lusa, ao Mundo, igualmente tem havido uma série de arremedos de outras partes por pessoas que, com o devido respeito, pois o pensamento humano é livre e deve-se respeitar as pessoas como é do mais elementar civismo, dizia, têm surgido no palco cénico do Pensamento Português em grande parte inspiradas nas obras dos personagens que mencionei, com um certo particularismo para a minha, e daí realmente se lançado em especulações, uma mais fantásticas que as outras, contudo nenhuma delas conferindo com a realidade, mas sendo pessoas que sobretudo merecem muito carinho e muito respeito.
P. – Se as qualifica como especulações fantásticas, como explica o respeito e o carinho?
R. – Respeito, porque são seres humanos, logo são seres livres de agirem pelo seu livre-arbítrio, e, afinal de contas, não deixamos de estar num sistema democrático, politicamente falando. Carinho, porque se interessam pela Portugalidade. Quanto ás índoles doutrinárias ou paradoutrinárias com as quais se afinizem, inibo-me comentar e tão-só aceitar, mais que respeitar, ademais porque o ser humano é como é e a mente humana, enfim, é muitíssimo pródiga.
P. – Publicou recentemente a obra A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro. O que é a Ordem de Mariz?
R. – “Ordem de Mariz” é o designativo de uma Confraternidade Esotérica constituída em São Lourenço de Anciães, junto do rio Tua, reinando Afonso I de Portugal, portanto, nos primórdios da Nação já com fronteiras que haviam sido preestabelecidas.
É uma Ordem humanamente de estrutura maçónica, e espiritualmente de vocação templária. Ao que sei, congrega em si a pura essência, ou a quintessência, das três religiões tradicionais do Livro: a judaica, a cristã e a islâmica. Poder-se-á considerar a Ordem de Mariz como sendo a quintessência dessa corrente tradicional uno-trino.
P. – Quem esteve na origem da constituição da Ordem de Mariz?
R. – A Ordem de Mariz foi constituída pelo escol privilegiado do Género Humano que, nesses tempos idos, havia de melhor nesta parte do Mundo, homens e senhoras cujo quilate interior, espiritual, tão desenvolvido era que, realmente, é facto só podendo ser interpretado à luz da Lei da Reencarnação. Eram, e são, portanto, pessoas que progrediram ao longo de vasto corolário de vidas sucessivas até atingirem o patamar supremo, o estado de despertar da Consciência Espiritual, valendo por Iluminação Interior indo-as dispor nessa posição privilegiada de vanguarda e guia do mesmo Género Humano.
P. – Há figuras históricas a integrá-la?
R. – São vários os nomes históricos que fizeram parte dessa Congregação de Eleitos ou a Elite como os Principais ou Príncipes da Humanidade. Por exemplo, sabe-se que Afonso Henriques, na época, era o Grão-Chefe da Ordem de Mariz. Egas Moniz, seu aio, tutor ou pai espiritual, isto é, padrinho, também. Mais tarde, aparece o Infante Henrique de Sagres, que posteriormente reencarnaria, revelo-o pela primeira vez, como o misterioso Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves, que assumiria os destinos da Ordem de Mariz como seu Grão-Chefe.
Adianto, ainda, que o Infante Henrique de Sagres está profundamente ligado à pessoa do Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Teosófica Brasileira em 1928.
P. – Quer explicitar melhor essa “ligação” do Infante Henrique de Sagres com Henrique José de Souza?
R. – Para isso tenho a afirmar que o Barão Henrique Antunes da Silva Neves não era a reencarnação do Infante Henrique de Sagres, mas uma das suas Colunas Vivas, a mesma que figura na História como Pedro Álvares Cabral. O Infante Henrique de Sagres (I ou JHS, pois o I vale pelo J na nomenclatura antiga) aparece como EL-RIKE, “o Sol Esplendoroso de El-Rike”, ou seja o Segundo Trono na Terra tomando a feição de Terceiro... Bom, eu quero dizer com isto que o Infante Henrique de Sagres, mais tarde, a sua Essência Imortal, como Partícula promanada do Segundo ao Terceiro Logos, o Espírito Santo, reencarna como Henrique José de Souza, como o próprio diz numa sua obra reservada de título Diário Estranho. Já Cristovão Colombo era a outra Coluna Viva do Infante Henrique de Sagres, na época.
Estes Seres Representativos são a “cabeça de Tibes” doutros mais que constituem a Quinta Rama da Grande Fraternidade Branca.
P. – Com que nomes? Essas afirmações não podem também ser passíveis de especulações?
R. – Têm nomes orientais e têm nomes ocidentais, de acordo com as suas funções e também de acordo com a marcha precessional da Civilização do Oriente ao Ocidente, ficando assinalados com os nomes mais marcantes das missões que desempenharam tanto noutros continentes como neste. Seja como for, afirmo que estão completamente à margem das actuais especulações fantásticas ou fantasistas por não serem reais ou realistas; ademais, tanto o escrínio do que seja como o lidar, directa ou indirectamente, com esta Ordem, não é algo fantasmagórico, é algo concreto e físico. Os seus Preclaros Membros, reservados na maior discrição, ainda assim têm as suas casas e comendas sobre a Terra. São pessoas como nós, só que diferentes. Foi por causa disso, e seguindo os conselhos de alguns personagens ligados directamente a essa Ordem sibilina, críptica, que escrevi e editei primeiro, do meu bolso, uma monografia sobre ela, mas que depois veio a ser revista, aumentada e dada à estampa como livro, pela Editora Novalis, A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro.
Enfim, a Ordem de Mariz é a expressão lídima e Marial da própria e Excelsa Mãe Divina identificada ao Terceiro Aspecto de Deus Espírito Santo, afinal, pomo da devoção de todo o povo português, com alma mista de franciscano e messiânico.
P. – Existem outras Ordens Secretas e Iniciáticas ligadas à Grande Fraternidade Branca?
R. – Sim, há mais outras sete Ramas que no todo compõem a Excelsa Loja Branca. Por exemplo, a Rosacruz dos Andróginos, a Ordem Soberana de Malta, a Maçonaria dos Traixus-Marutas... dentre todas estas Ordens, a de Mariz é a Quinta Rama.
Neste particular vasto e supra-secreto observo, hoje em dia, muitas pessoas com carisma mas ignorando a realidade profunda e movediça das Ordens Iniciáticas e Secretas, lançarem-se, aqui sim e abertamente, nas especulações mais desmedidas...
P. – De que tipo?
R. – Do tipo daquela “Lys” pressuposta pelo senhor Trigueirinho, que bem conheço do outro lado do mar, do Brasil, e também daqui de Portugal, bem como a algumas outras pessoas aqui chegadas trazendo na bagagem a «novidade» de impressões cinematográficas transformadas em ocultismo, mesmo que isso não passe de cinematografia. O que as pessoas dessa natureza e seus afins pensam e julgam que é Espiritualidade, em boa verdade não é nada disso. Tal como o cinema não é Ocultismo e tal como a Ciência não é especulação fantástica. Ademais não se vende nem se compra a Espiritualidade, porque ela é algo que se conquista, e não é como a concebemos, é como ela é!
As tais pessoas que falam de “Lys” como a “cidade interna, subterrânea no espaço português”, posso garantir-lhe que ignoram completamente ser Lis a primeira sílaba do nome completo da cidade subterrânea de Sintra (o Quinto dos Sete Montes Santos do Mundo, inclusive reservando um “Centro de Força Vital” ou Chakra Planetário no seu interior), que vai, por um lado, até além do Cabo Espichel, da Arrábida, estendendo-se a Sagres, por outro lado além da Nazaré, estendendo-se a Santiago de Compostela, e ainda para lá de Barcelona, por uma parte, e por outra para lá das Canárias, chegando às proximidades do arquipélago de Cabo Verde, logo também abarcando os Açores e a Madeira. Isto porque, diz a Tradição Secreta, as Cidades Jinas, subterrâneas, são bem maiores que as cidades da superfície.
P. – Aparentemente, os vocábulos Lys e Sintra parecem não ter semelhanças...
R. – Mas as têm no sentido iniciático. Lis é tanto a primeira sílaba do nome da Cidade Jina de Sintra como, de facto, como flor é a signa esotérica de Lisboa e Sintra, sendo também e sobretudo a signa da realeza suprema do Governo Oculto do Mundo, nesta parte da Terra representado pela Ordem Soberana de Mariz. Assim se torna o símbolo real de Melkitsedek, Sanat Kumara, enfim, o Senhor Supremo ou Rei do Mundo, o que está mais próximo do Logos Planetário e que está para o Logos Planetário como a nossa personalidade humana está para a nossa individualidade espiritual.
P. – Referiu que Trigueirinho, autor firmado na literatura esotérica, transformou impressões cinematográficas em ocultismo. Porquê?
R. – Não só ele, outros também, e isto, reitero, sem pretender ofender quem quer que seja. Quanto ao “porquê”, é porque sem um estudo atento, criterioso, da Tradição, dentro de uma Escola criteriosa, com regras escolásticas, etc., inevitavelmente se perde em chavões e invenções as mais extraordinárias a que se acaba dando vida e forma. Quanto ao senhor Trigueirinho, muito do que «revela» afinal ouviu dos nossos membros (antiga Sociedade Teosófica Brasileira, hoje Sociedade Brasileira de Eubiose) dos Departamentos do Rio de Janeiro, de São Paulo e até de São Lourenço, onde já esteve algumas vezes pois que vive próximo de Baependí, em Minas Gerais do Sul. Mas os Instrutores desses Departamentos estavam proibidos de lhe dar tudo quanto pretendia. Fazendo agora recurso da memória, julgo que o senhor Trigueirinho fez o nosso Curso Vestibular, Grau Peregrino, e não chegou a metade do Grau Manu, que são transmitidos por apostilas e aulas orais. Adquiriu realmente a «iluminação», direi assim, isto porque, conforme as suas palavras textuais confessadas em antigo número da revista brasileira “O Planeta”, nessa condição se sentiu após ter lido um livro editado em Portugal, por instâncias de Teósofos e Eubiotas portugueses, através da Editorial Minerva, praticamente a seguir ao 25 de Abril de 1974. Esse livro fazia parte de uma colecção que se chamava “Cavalo Branco” e levava de título A Terra Oca, do jornalista norte-americano, hoje vivendo em Santa Catarina, no Sul do Brasil, Raymond Bernard. No final dessa obra aparece um apêndice extenso, de muito interesse, escrito por um condiscípulo do Professor Henrique José de Souza e justamente assinado Anónimo de Sintra...
P. – Quem era esse anónimo?
R. – Não sou eu! Era realmente um Instrutor da época e consignado a representar a Hierarquia da Ordem do Santo Graal na altura. Nesse livro e principalmente no seu apêndice, estão aí muitas coisas em que o senhor Trigueirinho se baseou, seguido logo de outros afins, para, com o devido respeito, nunca é demais repetir, fantasiar o seu mundo, fantasiar o seu ocultismo, criando escola que, para desgraça psicomental de muitos portugueses, alguns sul-americanos têm trazido a Portugal.
P. – Porque é que refere isso só agora?
R. – Pelo contrário, há muito tempo que reiteradamente o venho dizendo, eu e todos os quantos autenticamente postulam a Tradição Iniciática das Idades, independentemente dos nomes das Confrarias Tradicionalistas a que estejam vinculados. E faço-o para que o leitorado geral não confunda “a nuvem por Juno”... Tal como há ordem preestabelecida no Universo, o que se reflecte no Logos Planetário como expressão do Logos Solar, assim como o Homem é a expressão do Logos Planetário, também há desordem estabelecida, e neste particular um “ocultismo selvagem”, se é que lhe posso chamar ocultismo, porque não tem ordem alguma.
P. – E a Ordem de Mariz? Qual é o seu trabalho em Portugal?
R. – Ao que sei, a Ordem de Mariz trabalha hoje no escrínio da Portugalidade, como sempre trabalhou, através de pessoas previamente seleccionadas, algumas delas, raras, conscientes da influência directa, mental, que é exercida sobre elas e que é adaptada às suas naturezas individuais, de onde grandes obras (literárias, musicais, pictóricas, etc.) já saíram. Lembro agora o professor Agostinho da Silva, assumido arauto do Menino do Futuro, que tanto pode ser um Movimento quanto o Dirigente do mesmo, e logo ambos como coisa Nova, donde o “Menino”.
P. – Concretamente, refere-se a quem e a quê?
R. – Ao prenúncio de uma Idade Nova. A Idade do Espírito Santo. A Idade de Maitreya, o Cristo Universal, aquele que é o Supremo Instrutor da Grande Hierarquia Branca, o “Coração Místico” da Agharta. Agharta como Lugar Supremo da Bem-Aventurança, “Paraíso Perdido” para o homem comum d´hoje, o Éden ou Gan-Éden, e lá por estar oculto, vedado ou velado não significa que seja algo fantasmagórico, não, é algo bem físico, concreto a que raros hoje mesmo têm acesso. Com isto, não quero dizer que esteja incluído nesse número mas... também não quero desdizer. Mantenho o enigma ou mistério, como se quiser, e que a minha vida e obra falem por mim.
P. – Quais foram as bases de investigação que serviram de apoio à A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro?
R. – Escrevi o livro com “cabeça, tronco e membros” baseado nos ensinamentos reservados do Professor Henrique José de Souza, que foi a primeira pessoa do mundo que falou abertamente sobre a Ordem de Mariz, e muito especialmente nos seus Livros de Revelações constituídos de milhares de páginas os quais a Humanidade comum não conhecerá tão cedo, excepto os Eleitos da Obra Divina, em que está empenhada a Comunidade Teúrgica Portuguesa, quando atingem o patamar que consideramos o Grau Interno ou de Integração.
P. – Como é que os não Eleitos poderão conhecer realmente a estrutura da Ordem de Mariz?
R. – Creio que o conhecimento teórico ou geral mais ou menos aproximado sobre a estrutura da Grande Loja Branca, na sua expressão lídima Lusitana, já está oferecido ao público geral neste livro escrito por mim (A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro), cujo objectivo real foi, perdoe-se-me a expressão, “separar o trigo do joio”, o irreal do real, a mentira da verdade, as trevas da luz. O livro foi construído de maneira a ficar fechado sobre si mesmo, pois fora do contexto que o mesmo inscreve a Ordem só poderá ser exposta de maneira fantasista. O próprio livro defende-se do plágio, coisa muito corrente nos dias de hoje, pois quem o plagiar terá que saber o sentido real do que plagiou... e esse eu não o dei. Portanto, qualquer leitor, por muito pouco preparado que esteja, percebe que nele não há espaço para extrapolação, e quem o fizer sem dúvida sujeita-se à interpelação. Tudo isto porque foi uma grande responsabilidade que assumi ao pronunciar-me de público sobre tema tão sagrada e secreto, e fazendo-o não o assumi de “olhos vendados”!... Portanto, o conhecimento aproximado do que é a Ordem de Mariz, aquilo que seja a Ordem de Mariz, é afinal de contas o conhecimento aproximado daquilo que seja a grande estrutura da Grande Loja Branca. É desta que parte o conhecimento que grandes investigadores, nos últimos anos, têm propagado desde as cátedras universitárias, através das suas diversas expressões, inspirados por via directa ou indirecta e não importando que o receptor na maioria das vezes não tenha consciência imediata disso; importa é que tenha a cabeça no sítio, sem quimeras nem fantasias, assumindo-se como é e não como pretende que seja, tanto mais que um académico de número, tal como um ocultista verdadeiro, não pode ou não deve fantasiar ao sabor das quimeras.
P. – Em sua opinião, como deve agir então um ocultista verdadeiro?
R. – Sendo sincero ante o geral e sendo dedicado ante o particular. Servir e não servir-se!... Usando as palavras de Fernando Pessoa, há três coisas com que o ocultista verdadeiro não brinca: com Deus, com a Morte e com a Loucura. Realmente o ocultista verdadeiro funciona numa via mística assaz estreita, qual “fio da navalha”, onde a morte e a loucura estão sempre presentes e só não o atingirão enquanto for sincero para consigo mesmo e o seu próximo, não pretendendo ser mais do que é realmente, e logo estar em conformidade com a sua Consciência que é Deus em si, é a Lei Eterna em si determinando os seus ritmos físicos e espirituais. Sair fora da Lei, de Deus, vai-se cair num lado e doutro do caminho estreito: cai-se na valeta da loucura e logo resvala-se para o outro lado, a morte inglória. O ocultista verdadeiro que desatine e se afaste da Lei do Eterno, afogando a sua Consciência na fantasia e na quimera, por ter noção maior que o vulgo do esquema geral de Evolução, contrai um karma ou dividendo consciencial, como Lei da acção X desencadeando igual reacção X, maior que aquele. É, afinal, como dizia Jesus o Cristo: os que erram mas não sabem, pagam; os que sabem e erram pagam três, quatro, cinco vezes mais.
P. – Mencionou a Comunidade Teúrgica Portuguesa. Qual é a sua relação com a Ordem de Mariz?
R. – A Comunidade Teúrgica Portuguesa, por vocação desde a primeira hora, tem um vínculo muito profundo à Tradição Iniciática Portuguesa, consequentemente, o mesmo vale para a Ordem de Mariz, afinal, Mãe Soberana difusora desse mesmo Pensamento Iluminado que, com o passar dos tempos feitos de séculos, se consubstanciou Tradição Lusa. Em suas origens e até hoje, ela – Tradição versus Pensamento versus Ordem – tem como bojo uma plêiade de preclaros Adeptos Perfeitos que, posso adiantar, constitui-se do número cabalístico de 111 à cabeça como dirigentes e 777 em redor como dirigindo e sendo “escudo defensivo” daqueles, e todos juntos são, afinal, os componentes da Ordem de Mariz, Marisin, Marizin, Maridj ou Al-Messiah.
P. – Basta ser português para se estar inserido na tão falada Missão oculta de Portugal?
R. – Não, a não ser muito indirectamente. É necessário algo mais, e essa algo é o mais: o de algum tipo de trabalho muito importante a realizar junto da Raça. Se tiver essa incumbência, então logicamente estará inserido nos quadros de quantos estão activos na realização da Missão Oculta de Portugal. Isto vale para todos os sectores da sociedade, religiosos, científicos, filosóficos, artísticos, humanitários, etc., etc. Ademais, se todos estivessem inseridos na tão falada Missão Oculta de Portugal, então todos teriam uma missão importante a cumprir, e a observação mais elementar diz que assim não é: a missão importante de cada um tem a ver consigo mesmo, a de eliminar as suas imperfeições substituindo-as por maiores e humanas perfeições, ou, como diriam os orientais, transformar o karma em dharma. Além disso, qualquer um pode ser português desde que tenha o respectivo cartão de identidade. Mas mais que isso, é preciso ser realmente Português, tanto por ascendência mais que humana, espiritual, como por afinidade e conformidade ao Espírito de Luso, isto é, de Filho da Luz, Lusus.
P. – Como historiador e porta-voz da Comunidade Teúrgica Portuguesa, que importância atribuiu à organização do Fórum “Portugal na Dimensão Oculta”?
R. – Todas as iniciativas a favor da Portugalidade são válidas. Neste país onde as pessoas vivem a lamuriar-se de que “Portugal já deu o que tinha a dar”, é muito bom e de grande positividade mostrar a face oculta de Portugal, porque esta face é a verdadeira.
É a do Portugal Espiritual, o Portugal do V Império, o Portugal do Sonho que traz Esperança num Porvir melhor. E se hoje é sonho, utopia, tal não significa que amanhã não seja uma realidade, pois que todos os dias raia um dia novo sobre os acontecimentos que se sucedem em catadupa, e tarde ou cedo haverá de raiar um Novo Dia que traga o acontecimento da solução do maior problema da Humanidade: o da Felicidade Humana.
De modo que foi muito bom e positivo ter-se realizado o evento, pois todas as pessoas que ocorrem a eventos deste género não deixam de sentir a necessidade de uma procura, de uma busca, pois estão em busca de algo... a resposta certeira ao porque da sua existência, do seu futuro e do porque nasceram em Portugal. De maneira que todas as sementes lançadas a terreno são válidas. Posso até rematar com a frase profética lapidar de Sintra: “Quem nasce em Portugal é por missão ou castigo”. Pois que se nasça de ora avante em Portugal por missão e sem mais castigo, porque a Era de Promissão, Aquarius, já começou, esta é a Idade do Espírito Santo.
NOTA (V.M.A.) – Canopeia ou Canopo é o nome da estrela de primeira grandeza da constelação Argo ou Arga, com o significado oculto de “Navio – Arca de Oiro”, que faz parte do 1.º dos 3 Zodíacos do Empório celeste, este com 10 signos correspondentes ao Mundo Divino e logo ao 1.º Logos – o Pai, cujo reflexo cósmico é a constelação Orion, precisamente com o significado “Espírito de Deus”. O termo canopo provém do latim canõpu e do grego kánõbus e kánopos. Associa-se ao vaso canópico ou funerário, destinado a encerrar algo que deixou de viver ou tão-só de exercer funções externamente, tal qual a estrela Canopo está encerrada dentro da constelação Arga. E encerrada de maneira discriminada e predeterminada que leva o etimólogo canópico a acercar-se do sentido de canónico. Sendo o 8.º dos 10 signos do 1.º Zodíaco, com isso não deixa ainda de associar-se ao sentido do Tabernáculo de Deus, a Arca da Aliança do Divino com o Humano, a 8.ª das Cidades de Agharta, isto é, Shamballah.
Editada por admin na 2006 - 24 - Julho às 12:17
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