Quanto ao Ego, o Espírito no feto, a verdade é que de maneira alguma ele o habita. Ele hiberna no Plano Causal, ou Mental Superior, e a única ligação que tem ao embrião é a vibração kármica dada pelo seu chitta, a “matéria mental”, que lhe irá moldar o cérebro e o sexo, masculino ou feminino, de acordo com o seu quinhão kármico assim o encadeando à Lei de Causa e Efeito, a mesma da Justiça Universal. Ele, o Ego, só se encadeia ao nado quando se corta o cordão umbilical logo após o parto. Desse instante até aos 21 anos de idade, é o período de se firmar, de se tornar homem ou mulher, ou seja de ter a consciência humana mais ou menos completa. Isto porque do nascimento aos 7 anos de idade, desenvolve o corpo vital ou etérico; dos 7 aos 14, o corpo emocional ou astral; finalmente, dos 14 aos 21, é o período de formação do corpo mental, intelectual, que expressará pelo cérebro, então definitivamente formado, as ideias que lhe são próprias.
Quando se provoca o aborto o Ego nada sofre (e nem pode sofrer, por estar no Mundo da Tríade Espiritual, alheio aos prazeres ou desprazeres do Mundo da Personalidade); tão-só é interrompida a vibração kármica do seu chitta. O único sofrimento é o ter de recomeçar num outro feto escolhido para si pela Lei de Causa e Efeito, em conformidade à satisfação das suas necessidades kármicas acompanhando-o de vida em vida, até esgotar esse mesmo karma tornando-se um Ser Superado.
O aborto é totalmente o oposto da inseminação artificial, dos chamados “bebés-provetas”. O único problema nestes, na perspectiva espiritual (não confundir com religiosa, pois que religião será espiritualista mas nem sempre espiritual, e aqui entra novamente a dicotomia caelibatu ad castu), é muitas vezes não se saber a quem pertence o sémen paterno e como poderá tudo isso encaixar no Karma da Família a que o nado irá pertencer. Tal implica um reajustamento dos arquétipos kármicos, tanto os da criança como os da família, prolongando-se naquela até aos 21 anos de idade, período durante o qual poderá se adaptar à situação criada artificialmente ou, então, vir a ser uma completa desajustada no meio familiar imposto, o mesmo valendo para essa mesma família recebendo o nado gerado artificialmente.
É ainda D. Helena Jefferson de Souza, durante mais de 50 anos companheira inseparável de Missão Avatárica do Professor Henrique José de Souza (JHS), a comentar o assunto (in ob. cit.):
“P. – A criação em laboratórios de bebés-de-proveta encaixa-se nos ditames da Lei Universal?
“R. – Sim e não... porque o certo é a pessoa ter os seus próprios filhos. Agora, há pessoas que têm complexos, justamente por não terem filhos... e o único jeito é este. Elas sentem-se felizes em ter crianças... ou adoptadas ou assim desta maneira, a inseminação artificial. A Maternidade é uma coisa muito Divina... e muitas pessoas se casam e não concebem... têm uma vontade louca de ter filhos... e a única maneira é: ou adoptar uma criança ou se submeter a este tratamento moderno.
“P. – Mas, no caso destes bebés-de-proveta, haveria alguma influência no carácter deles, mais tarde, de natureza espiritual?
“R. – Bem, aí já não seria o mesmo sangue... Por exemplo: eu sou casada com um homem e o homem não me deu filhos... e eu vou arranjar com outro... quer dizer, sairia um pouco de dentro das nossas concepções teosóficas... do Karma da Família... entenderam? Porque seria uma coisa vinda de outra pessoa... por isso é que eu acho que certas coisas não se devem fazer!... Cada um tem o seu Karma. Uns têm muitos filhos, outros não têm nenhum... e a pessoa tem que se conformar... e, às vezes, acontecem casos de a criança ser problema... vir uma criança problema!...”
“A Maternidade é uma coisa muito Divina”, disse a Excelsa Contraparte de JHS, e tanto assim é que o Hino ao Amor do mesmo Venerável Mestre diz a dado trecho:
“A mulher que dá seu filho
Pelo bem da Humanidade,
Essa mulher não é mulher,
Mas a FLOR DA MATERNIDADE.”
Durante séculos e séculos, milénios mesmo, as religiões têm considerado o sexo uma coisa imunda, imoral, não espiritual a evitar o mais possível e a pronunciar quanto menos melhor. Isto tanto no Oriente como no Ocidente, apesar de ser uma das Leis fundamentais da Vida.
Mesmo hoje, no século XXI, há casais há muitos anos casados mas para quem os corpos um do outro são completamente desconhecidos: pudicamente, por padrões morais redutores herdados de gerações e gerações, evitam despir-se na frente um do outro; evitam relacionar-se sexualmente à claridade, e fogem sempre ao prazer corporal por pudor; evitam, até, sozinhos tomar banho inteiramente despidos. Este é, como disse, o verdadeiro “fruto proibido da Árvore da Vida”, precocemente apodrecido por inúmeras gerações sujeitas ao mesmo puritanismo castrante (desencadeador tarde ou cedo de psicoses irreversíveis, as famosas “taras sexuais” que inclusive, em casos extremos, podem levar ao suicídio desesperado), envergonhado das reacções naturais do seu corpo que, afinal, é tão-só o templo do Espírito livre nele habitando.
Um dos primeiros, senão o primeiro, a opor-se na Índia a tal estado de coisas foi o teósofo inglês Charles W. Leadbeater, tendo ensinado as crianças a tomar banho nuas e a esfregarem-se com sabão invés do usual: mergulhar vestidas e logo sair da água, motivo de muitas epidemias por falta de higiene, as quais hoje mesmo grassam nesse país. Mais, aconselhou mesmo a alguns adolescentes a masturbação como medida profiláctica, coisa abominável para a época e particularmente para uma sociedade repressiva das leis e práticas sexuais. Resultado: Leadbeater é ainda hoje considerado por muitos, inclusive teosofistas, um homossexual e mesmo um pedófilo!
Não o pretendo defender, mas também não acredito que tenha sido tal. Ele próprio explica o seu ponto de vista acerca do assunto, em carta datada de 30 de Junho de 1906 endereçada à Presidente da Sociedade Teosófica de Adyar (Estado de Madras, Índia), a sua amiga inseparável Annie Besant:
“A minha opinião sobre o assunto, que tanta gente julga tão errada, formou-se muito antes dos dias teosóficos... Existe uma função natural do homem, que em si mesma não é mais vergonhosa (a não ser que seja satisfeita à custa de outra pessoa) que o comer e o beber... Ocorre a acumulação, que se descarrega a intervalos – geralmente de quinze em quinze dias, conquanto, em alguns casos, a frequência seja muito maior, sendo que a mente na última parte de cada intervalo é constantemente obcecada pelo assunto. A ideia era tomar a iniciativa antes da idade em que o assunto se torna tão forte que é praticamente incontrolável, e instituir o hábito de descargas artificiais regulares, porém menores, sem nenhum pensamento durante os intervalos... O intervalo geralmente sugerido era de uma semana, posto que, em alguns casos, se permitisse por algum tempo a metade desse período. Recomendava-se sempre que se encompridasse o intervalo até um ponto compatível com a evitação de pensamentos ou desejos sobre o assunto. Você, compreenderá, naturalmente, que não se deu nenhuma importância especial a esse lado sexual da vida, citado apenas como uma entre muitas directrizes para a regulação da existência... Assim sendo, quando os meninos eram colocados aos meus cuidados, eu lhes mencionava o assunto entre outras coisas, sempre tentando evitar toda a sorte de falsas vergonhas, e fazendo com que tudo parecesse o mais simples e natural possível, embora, naturalmente, não fosse matéria que se devesse tratar diante de outros...”
Seis meses mais tarde, ele tornou a escrever-lhe:
“Creio que você, nesse particular, foi um tanto ou quanto enganada... Nunca tive o costume de despertar tais sentimentos (de sexo) antes que eles existissem; como eu lhe disse em carta anterior, nunca falei nesses assuntos sem antes ter vislumbrado sintomas preliminares... Não tenho o menor desejo de persuadi-la a adoptar estas opiniões, mas eu me sentiria muito grato se lograsse tirar do seu espírito a ideia de que estava enganado...”
Seja como for, a masturbação quase ou mesmo diária acaba se tornando um “vício solitário” indo criar um elemental artificial astral, que se alimentará dessas energias líbido-passionais até chegar ao ponto do desejo ser mais forte que a vontade do seu criador, assim cortando-lhe ou captando-lhe o domínio da mente, que é o que significa mentecapto.
O Professor Henrique José de Souza, em conversa particular sobre o assunto, teve ocasião de dizer:
“O sistema nervoso está, estreitamente, ligado ao Plano Astral, Emocional... E, quando o elemento humano pratica o vício solitário, tem uma sensação, uma emoção tangida para a epilepsia, decorrendo daí a “captação”, a castração da mente pelo sexo impróprio, senão prejudicada por essa função. E se houver deprimência dos sentidos, levará o praticante ao suicídio.”
Para o Preclaro Adepto Serapis Bey, em carta de 1876: “... O maior de todos os crimes – o suicídio”.
Sim, por ser o único acto não previsto nos arquétipos kármicos da entidade, tornando-se, por isso, um verdadeiro atentado à Lei da Natureza. O suicidado terá que esgotar o tempo que ainda deveria cumprir na Terra, dessa feita nos sub-planos mais baixos do Plano Astral, em meio dum sofrimento indizível e criando karmicamente os dispositivos de miséria e dor que povoarão a sua próxima reencarnação. Negando a Vida, a Vida o flagela. Ademais, a Lei jamais impõe à criatura esforços maiores que aqueles que pode suportar: poderá ir aos extremos das possibilidades, mas jamais ultrapassando o limite. Portanto, o suicídio acaba sendo um acto de cobardia, espiritual e humana, face à Vida... mesmo que se negue convictamente essa mesma existência espiritual para, depois, ir confrontar-se com ela na mais dolorosa das surpresas.
Isso leva-me ao místico que morre pela Humanidade. Tem valor, sim, e muito, mas muitíssimo mais valor tem aquele que vive pela Humanidade, visto ser fácil morrer e difícil viver, mais ainda – mas com quanta glória! – quando se trata de servir o Género Humano, sem esperar nada em troca. É como diz H. P. Blavatsky: “Aquele que vive para a Humanidade faz muito mais do que aquele que por ela morre!”, quiçá inspirada naquelas outras palavras do Alcorão – Sura III:
“Ó Tu, Senhor, que fazes entrar o dia na noite e a noite no dia! Ó Tu, Senhor, que fazes entrar a vida na morte e a morte na vida! A Ti, mais preciosa é a tinta do sábio que o sangue do mártir.”
Este assunto do vício e abuso sexual é coisa que já levou muitos espiritualistas, inclusive teúrgicos, por não estarem integrados à sua Consciência Superior, ao enredo nas suas malhas falazes, tentadoras ou magnéticas encadeando o Mental ao Sexo, quando deveria ser precisamente o contrário: o Sexo encadeado ou sujeito ao domínio do Mental. Há o caso de um (apesar de devida e antecipadamente alertado por mim e que contra mim depois se voltou, renegando à Obra Divina na Face da Terra) que tombou ingloriamente no centro dum triângulo kamásico ou caótico, neurasténico, hipocondríaco e pornográfico, formado de pessoas absorvidas no mais baixo padrão libido-passional que o perderam para sempre, nesta vida, para o Caminho Espiritual da Verdadeira Iniciação. Invés de cultivar o Sexo natural, humanamente espiritualizado ou enquadrado no seu próprio nível, preferiu desenquadrá-lo tornando-o inatural, pornográfico, em que os casais se trocam como se troca algo de menos valia. Arrepiante...
Tanto como ver essas pobres “madalenas” vendendo-se em anónimas e malcheirosas vielas em troca de algumas moedas pelo “serviço” prestado a imprestáveis homens de “cintura frouxa”, de mental quase apagado, o que me leva novamente ao sentido de mentecapto. Elas tendo uma kamásica bruma escarlate em torno da cintura (denunciando astralmente o uso e abuso sexual), e eles tendo uma escarlate bruma espessa, igualmente, kamásica, que serpenteando desce venenosamente da cabeça à cintura e desta volve acima, eclipsando aquilo que distingue o Homem na Natureza: a jóia preciosa do Mental. As auras astrais de ambos, prestadora do “serviço” e “cliente”, são povoadas por larvas, cascões e elementais da mais baixa espécie, criação dos seus vícios e insuflando-os psiquicamente aos mais próximos, menos avisados e menos seguros de si mesmos.
Eis aí a razão oculta dos prostíbulos serem, em boa verdade filológica, “prisões do sexo”, e os lupanares sendo “lugares lunares”, antes, lunáticos, como é toda a sua freguesia afligida pelo lado passional da Lua, e para excitar ainda mais as suas emoções, a par de músicas passionais as paredes interiores dessas casas são geralmente pintadas de vermelho escarlate, cor forte que excita tanto a besta animal quanto a besta humana, assim se reproduzindo o ambiente do Astral inferior, e por onde entre vivos pululam os mortos nas mais grotescas e hediondas formas psíquicas vampirizadoras.
Eis aí “a vibração (musical), a cor (espaço ambiente) e o número (clientela)”, exercendo a sua influência conjunta, mas no mais baixo padrão. Para o modificar positivamente, carece-se de uma cultura sexual verdadeiramente profiláctica, a par de dispositivos sócio-económicos eficazes no minguar ou mesmo acabar da miséria humana, em que as mulheres são quem mais sofre.
Sobre este assunto do abuso sexual, escreveu o Dr. Mário Roso de Luna (in Aberraciones Psíquicas del Sexo):
“Quem se deleita em pensamentos sexuais; quem, grosseiramente, fala sempre de coisas íntimas do sexo; ou quem, por aberração imaginativa, se entrega patologicamente ou com excesso ao sexo, corre o grande perigo de acabar por perdê-lo.
“Luxúria, em seu sentido etimológico, não é o acto fisiológico sexual, pois que luxúria vem de “jogo” e de “luxo”, isto é, das mórbidas excitações que o luxo e a ociosidade provocam na imaginação de ambos os sexos: na mulher, quando, para mais agradar, se enfeita com excesso; no homem, quando a contempla garrida, contra aquele preceito salomónico que diz: “Afasta teus olhos da mulher enfeitada para que não caias em tentação”, ou aquele outro do Evangelho: “Quem olha com olhos de deleição à mulher de outro, já cometeu adultério com ela em seu coração.”
Isso também é válido para a mulher que deseja o homem de outra!... Os “Irmãos Sombrios” actuam junto da Humanidade comum, e de boa parte dos Discípulos nos primeiros Graus para o Adeptado, através da influência perniciosa do sexo passional (não se está sugerindo a aniquilação ou castração sexual, pois que é função natural, mas antes o domínio pessoal sobre o mesmo, que é coisa bem diferente; mesmo assim há quem não careça de exercício sexual, e a sua abstenção deverá ser respeitada por outréns, principalmente se o rapaz ou a rapariga são vistosos e o desejo de provar o “fruto proibido” leva a tentá-los, o que é um franco desrespeito em despeito do Mental pela satisfação pessoal do Emocional, antes passional. Satisfeito o acto da “prova”, o fruto “provado”, garantidamente ambas as partes irão sentir grande decepção... por ter sido um acto forçado, de paixão sem amor, ficando só as cinzas de uma fogueira desnecessariamente acesa), visto o Emocional estar muito mais activo que o Mental, ainda em formação em seus aspectos superiores. Mas a Lei é a Lei, e quem a transgride sofre as consequências: aí temos a doença do século XX, a Sida ou Aids, que se está desenvolvendo em novas e desconhecidas doenças mortíferas. Ainda assim, ela não deixa de ser um travão kármico ao desregramento completo da Humanidade.
Os Grandes Mestres da Excelsa Fraternidade Branca desaconselham severamente aos seus discípulos as práticas do sexo ilícito, como muito bem o demonstra a carta seguinte endereçada a um discípulo em provação, datada de 1882 e escrita pelo Mahatma Koot Hoomi:
“Lembre-se ainda do seguinte: os adultérios espalham em seu redor uma aura venenosa que inflama as más paixões e enlouquece os desejos. Para vencer só há um meio: a separação absoluta. Eu não permito nem mais um reencontro, nem a vista à distância, nem uma palavra, nem mesmo uma carta. Transgrida uma destas defesas e deixará de ser meu discípulo. Conservar uma velha carta, um talismã, uma lembrança, sobretudo uma mecha de cabelos, é pernicioso: o objecto torna-se uma faísca que acende. Corre perigo se estiverdes na mesma cidade ou separados por pequena distância. Não pode ter confiança na sua energia moral, porque se fosse dotado de força moral, teria fugido da residência quando o primeiro pensamento luxurioso tentou a sua lealdade!... Assim, permaneça longe de ___ qualquer que seja o pretexto a invocar.”
Ainda que o Sexo esteja presente em tudo quanto existe, já a pornografia não, é inatural, bestial, pelo que avança o Dr. Mário Roso de Luna (in ob. cit.):
“O Sexo, em Matemática, está representado pelas quantidades positivas e negativas; na Mecânica, por matéria e força; em Física, pelos fluídos eléctricos opostos; em Química, pelos metalóides e metais; em Biologia, pelos hidrogénios e axidrilos; em Fisiologia, pelo espermatozóide e óvulo; em Astronomia, pelos sóis duplos, pares conjugados, com também a Lua e a Terra, os Planetas e o Sol; nas lutas da História, pelos vencedores militares e pelos vencidos, mais cultos que aqueles quase sempre, e que costumam acabar por dominá-los...”
E remata a Coluna CAF de JHS, o Engenheiro António Castaño Ferreira:
“Mas, fica ainda muito para a Ciência avançar no sentido do estudo do Sexo na Natureza, não o limitando, como até aqui, a animais e vegetais, mas estendendo-o a tudo quanto nos rodeia: minerais, átomos, moléculas, células e astros, e fazendo do estudo do Sexo Universal a chave-mestra dos segredos do Cosmos, porque, se o sexo é em si limitação, a união dos sexos contrários é propagação indefinida: o finito da dualidade vencendo, com a sua recíproca compenetração, o Infinito.
“Porque, orgânica e filosoficamente, o fenómeno da copulação sexual não é mais do que a cessão que o elemento chamado masculino faz ao elemento feminino de alguma coisa que aquele tem e do qual este carece, razão por que a sabedoria da Linguagem – outra das chaves do Mistério que nos cerca – chamou a dito fenómeno de “comércio sexual”, na lembrança da própria essência do fenómeno “Comércio”, nascido com a Humanidade em forma de permuta, ou seja da cessão de algo que se tem e não se necessita ou até estorva por sua abundância, em troca de algo que se carece; em tal sentido, essa “troca do que se tem pelo que não se tem e se deseja”, é comum a tudo quanto existe no Universo, constituindo a própria essência da Vida, que é precisamente, Vida e Sexo.”
Tal “Vida e Sexo” têm a ver respectivamente com as duas Forças Universais: a VIDA Animadora de FOHAT e o SEXO Criador de KUNDALINI, os Fogos Frio e Quente ou Celeste e Terrestre. Aquele penetrando o Homem pelo alto da cabeça que transfere este à Mulher pela cessão (donde a postura usual do homem por cima e a mulher por baixo e o sempre presente factor imaginação), elevando-o acima, de retorno à Fonte Universal, à Substância Única (SVABHÂVAT). Vida e Sexo são as chaves-mestras, sim, mas só com o tempero do AMOR unitivo, ou então a vida reduzir-se-á a sexo corrompido, despossuído do seu significado e função reais, logo prostituído no lodaçal de baixas, incertas e inseguras paixões escravizadoras, até decepadoras, da actividade mental, a única exclusiva ao Género Humano mas que, do Animal que foi ainda conserva os pêlos, resta despojar-se da pele passional!...

Os minerais acasalam fisicamente por reacções químicas afins; os vegetais por impulsos magnéticos vitais, atraindo-se por simpatia vibratória; os animais acasalam motivados por impulsos emocionais; e só o Homem reage à natureza sexual contrária por impulsos psicomentais, aliando a actividade cerebral à psicomotora.
Não é por acaso, também, possuir o cérebro humano o formato da cabeça do falo, posto que ambos lhe foram conferidos pela mesma Hierarquia Criadora: a dos KUMARAS e MAKARAS, “Senhores do Mental” e “da Forma”, intimamente relacionados à misteriosa e crucífera QUEDA DOS ASSURAS, essa mesma dos “Anjos Caídos” e origem da QUEDA DO HOMEM NO SEXO, desde então cabendo-lhe a tarefa titânica da SUPERAÇÃO DO SEXO pela REDENÇÃO MENTAL, elevando do sacro à corona a “Serpente Flamígera” de KUNDALINI, de maneira a tornar-se, para sempre, um Iluminado Espiritual, um Imortal, um redimido SER ASSÚRICO.
Como não podia deixar de ser, passo agora a citar vários trechos importantes da obra que mais profusa e profundamente aborda o assunto, Os Mistérios do Sexo, da autoria do Professor Henrique José de Souza:
“Falando de certas glândulas endócrinas, citamos o fenómeno do “odor feminino”, provocado pelas glândulas axilares. E que concorreu para o enfeitiçamento de muitos homens, pela beleza de certas mulheres, além de um outro odor, mais perigoso ainda, que possuíam certas mulheres, como Messalina, Cleópatra, etc., ou seja, o produzido pelas mesmas glândulas de combinação com as genitais. E que tantas vítimas esse mesmo “odor” teve ocasião de fazer, de que fala a História, sem no entanto saber o seu verdadeiro motivo... Outro fenómeno ainda não constatado pela Medicina, inclusive pelo próprio Marañon, a maior sumidade no assunto, aquele de três dias antes do período catamenial (lunar ou da menstruação) essas glândulas (as axilares) aumentando a sua função exteriorizante, impregnarem o ambiente daquele odor a que o vulgo denomina de “catinga”.
“O Manu é, ao mesmo tempo, a Inteligência (Manas, o Pensamento, a Mente, etc.), como Legislador e Guia de um Povo, Civilização, etc., e o Fecundador. Donde ser chamado de “Senhor da Vida e Morte de seu Povo”. Como Inteligência (assim também o “homem vulgar”) representa o Mundo Divino; como Fecundador, o Mundo Terreno. Nesse caso, a SEMENTE do Povo ou Raça por Ele dirigida.
“De facto as células cerebrais representam aquilo que o homem possui de imortal. As células sexuais, o que o mesmo possui de mortal. O abuso das segundas prejudica as primeiras. Donde o termo “mentecapto” (ou mens-capta) que se dá, por exemplo, aos que praticam e abusam do “vício solitário”. De semelhante “vício” resultam outras graves moléstias, dentre elas a epilepsia, senão, a disfunção de todo o sistema nervoso, prejudicando os demais sistemas.
“Os aparelhos genitais masculino e feminino são “congruentes”. Eles obedecem ao mesmo plano básico, concordância essa que persiste mesmo depois de recebido o selo do sexo. Apenas as condições se invertem: o aparelho masculino tem a forma positivamente saliente, enquanto o feminino é negativamente escavado, comportando-se os dois como a forma e o modelo, nela preparados, a chave e a fechadura.
“Nesse caso “o homem dá, a mulher recebe”. As glândulas genitais são semelhantes na forma e no tamanho; as do homem chamam-se testículos, e as da mulher, ovários. As células sexuais do homem chamam-se espermatozóides, e as da mulher, óvulos. O canal que parte das glândulas genitais chama-se conduto seminal, no homem, e trompa na mulher. Os dois canais de cada pessoa encontram-se na linha mediana onde formam um órgão oco, em que as células sexuais fazem uma paragem antes de serem expulsas do corpo. Esse órgão chama-se próstata, no homem, e útero na mulher. O canal de saída das células sexuais permanece dentro do corpo da mulher, enquanto no homem ele se abula num “ferrão de postura”. Na mulher, que deve receber esse “ferrão”, o canal oco é largo e de paredes delgadas, sendo essa porção denominada vagina. No homem, o canal continua estreito e de paredes grossas, formando o (maciço) pénis (ou membro viril).
“Com outras palavras, o homem é masculino externamente e feminino internamente. A mulher obedece ao mesmo princípio, de acordo com o seu sexo: feminina externamente e masculina internamente. Donde o “tratamento cruzado”, que a medicina actual faz uso em casos de desequilíbrios das funções sexuais, principalmente no período da menopausa (na mulher, e andropausa no homem). O que em um deveria ser mais, passa a ser menos, e no outro, o menos a mais.
“E como o homem possui nove orifícios (dois olhos, dois ouvidos, duas narinas, boca, ânus e uretra), a mulher possui dez, que são os mesmos, e mais o seu próprio. Nesse órgão, pois, existem dois orifícios, quando no homem ele é apenas um. Se somarmos esses dois números, isto é, 9 com 10, teremos a soma 19, que no Tarot é o Arcano de “O Sol”, melhor dito, dos Gémeos ou Hermafrodita Divino.”
HERMAFRODITISMO (aqui não devendo ser confundido com a doença desse nome) é o destino último do Homem, quando as células sexuais masculinas (HERMES – MERCÚRIO) e femininas (AFRODITE – VÉNUS) se fundirem num só princípio equilibrante auto-gerador, como acontece já com o Adepto Perfeito (representado no Arcano 9 do Tarot, “O Ermitão”), simbolizado precisamente no Andrógino, isto é, Andros ou Angôs Jina, o “Génio vencedor do Sexo”, dos cadeias ou grilhões do mesmo após ter cumprido a sua função natural.

Bem se sabe que as polaridades sexuais do Homem-Mulher constituem um antagonismo complementar entre si, qual “Sol e Lua, Positivo e Negativo, Activo e Passivo, Fohat e Kundalini”, etc., o que se registra nos veículos de manifestação da Consciência:

Antes de adiantar mais alguma coisa, é meu dever alertar os estimados leitores para o facto de certas “Yogas Sexuais” praticadas em certos círculos serem um verdadeiro atropelo à Lei de Evolução da Humanidade e de consequências psicossomáticas não raro irreversíveis. É meu dever também alertar os discípulos de nossa Obra Divina na Face da Terra, recordando-lhes os factos ocorridos no Tibete, no ano 985 da nossa Era, que redundaram em Tragédia cujo eco ainda hoje se faz sentir, e tudo por causa de Yogas francamente espirituais pervertidas em práticas as mais pornográficas, apesar de capeadas ou revestidas de espiritualidade... só aparente. Portanto, muito, muitíssimo cuidado na abordagem a este assunto que é, de facto, dos mais importante à evolução do Homem. Mas deve-se-lhe dar a importância que tem só no seu espaço próprio, e não o extravasar a outros panoramas diferentes, senão cai-se na malha, maya ou mania psicanalítica de ver sexo e pornografia em toda a parte, desde os Grandes Iluminados aos récem-nados, coisa que certos círculos aparentemente espiritualistas postulam (não passando do povo caído no Tibete...em nova reencarnação, sempre atrás ou copiando os Assuras e Makaras, ou “discípulos dos Bhante-Jaul”, que também caíram, por um Tentador se ter disfarçado de Santo e os levado à perdição. Creio que os MUNINDRAS adiantados de nossa Obra percebem claramente o que quero dizer).
A fonte da actividade cérebro-sexual reside no “Centro Vital” Raiz ou Sacro (Chakra Muladhara =
) que, sabe-se, está localizado na base da espinha dorsal, tendo por função fornecer aos órgãos genitais a energia sexual e ao sangue o calor corporal. O Muladhara é ainda a sede da misteriosa Força Universal chamada Kundalini, a Energia Electromagnética subindo do Centro da Terra ao Homem.
Este Chakra (do sânscrito “Roda”, por girar como um vórtice de energia, que no corpo físico se congrega como plexo nevro-sanguíneo associado a uma das sete glândulas principais) é animado por três correntes vitais ou prânicas, de cores alaranjada, vermelha e púrpura. A recusa constante em ceder à natureza inferior, anímica ou “animal”, pode levar o homem a desviar as correntes destinadas aos órgãos genitais, dirigindo-as para o cérebro, onde os seus elementos serão profundamente modificados. A corrente alaranjada se transformará em amarelo brilhante, passando a activar as actividades intelectuais; o vermelho se tornará róseo, indo reforçar a afeição desinteressada e altruísta; finalmente, o púrpura transforma-se em violeta suave activando a espiritualidade.
A transmutação alquímica, natural e gradual, dessas forças liberta o homem dos desejos sexuais e evita-lhe os grandes perigos a que está sujeito quando começa a despertar Kundalini (o FOGO CRIADOR DO ESPÍRITO SANTO, tanto valendo por MÃE DIVINA ou MAHA-SHAKTI, que de VIRGEM NEGRA ou oculta se faz VIRGEM BRANCA ou desvelada), ainda que a sublimação dessas energias só se faça com proveito quando o homem é suficientemente senhor do poder de manejá-las. Reitero: não se trata de anular uma função natural mas de saber dominá-la, assim dominando as correntes vitais do Chakra Raiz destinadas às funções criadoras. Pelo poder da nossa vontade elas irão, quando disso houver necessidade, auxiliar aquelas que nos mundos superiores têm funções idênticas.
Acerca-se o final deste estudo sobre a problemática do sexo, sem dúvida crucial para todo o homem e particularmente para o discípulo, pois a sua importância é geralmente subestimada por todo o tipo de correntes de ideias, donde resulta o recalcamento psicológico em que se debate a maioria da Humanidade. Desfecho, pois, com palavras preciosas da obra já citada do preclaro Dr. Mário Roso de Luna, 7.º Filho Espiritual de JHS e Membro n.º 7 da Sociedade Teosófica Brasileira, volvendo assim ao início deste trabalho e à questão do Referendo Nacional sobre a “lei do aborto”:
“O estado de civilização de um povo, e a sua cultura, não se mede por nada melhor do que pela altura moral e intelectual das suas mulheres, e também pelo modo como as consideram os homens.
“O homem faz a mulher, e a mulher, o homem. Diz-me a quem amas e como amas, e dir-te-ei quem és.
“O problema dos clericalismos, falsos misticismos, frivolidades e egoísmos femininos, não é senão o justo karma ou retribuição da falta de convivência dos dois sexos, no mais perfeito pé de igualdade.
“Se admitíssemos o cristianíssimo acerto de “A Sonata de Kreutzer”, de Tolstoi, segundo o qual os deveres de fidelidade são idênticos para o homem como para a mulher, mudaríamos por completo as bases caducas da nossa sociedade actual. Têm, neste assunto, a palavra os biólogos e os moralistas. Entretanto, as grandezas da monogamia e do lar tradicional, sancionadas no primitivo Código do Manu, ou Manava-Dharma-Shastra, parecem constituir o mais alto ideal humano.
“Como a chave sexual é a mais inferior do Mistério que nos rodeia, tudo o que se refere a sexo tem sempre alguma coisa de iniciação. Mas a Natureza não conhece senão dois métodos para nos iniciar: o evolutivo e o revolucionário; o fisiológico e o patológico. Por isto, as maiores vítimas no proceloso mar do sexo costumam ser as que receberam a influência letal, antes e depois da puberdade, das doutrinas que crêem resolver o problema do sexo estendendo, como disse Freud, um véu de mistério, que o faz precisamente mais sedutor e apetitoso. Não. Ao menino e à menina, desde a mais tenra idade, não se deve mentir em nada. O educador cumpre a sua missão ao dar-lhes sempre a verdade seca, mas suavemente, sempre sem enfeites nem incentivos, na certeza de que as verdades sexuais ainda não preparadas como a água resvalam pela rocha.
“O Amor é o desconhecido. Por isto a Divindade, que é o Supremo Amor, é também o Supremo Incognoscível... Bendito seja, pois, tudo quanto restitua ao sexo os seus legítimos foros, e maldito tudo quanto o afaste, sob qualquer pretexto, da senda natural para ele traçada, e que é tão oposta como o amor o pode ser do ódio!”